quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Eclipse EA-500 obtém certificação brasileira

Eclipse Total EA500. Imagem: Eclipse Aerospace.

A Eclipse Aerospace, fabricante pioneira entre os jatos executivos leves, reconhece no Brasil um mercado promissor para suas aeronaves


A empresa Eclipse Aerospace recebeu a certificação de tipo para seu jato bimotor “Total Eclipse”. A fabricante de Albuquerque, NM, trabalhou junto à ANAC para certificar o EA-500 e o Sistema de Gerenciamento Integrado Avio Eclipse (IFMS).
A Eclipse oferece a mais recente versão do EA-500 configurado com o IFMS e certificado para voo em condições de gelo conhecidas (FIKI). Além disso, o jato é oferecido completo, com uma garantia “do nariz à cauda”, pintura nova e novo interior.
“Estamos extremamente orgulhosos da velocidade com que nossa equipe de engenharia e nosso Grupo de Certificação Internacional trabalhou durante o processo de validação, disse Ken Ross, presidente da Eclipse para servições globais. “Obtivemos um tremendo interesse e empolgação por parte da comunidade da aviação corporativa e privada, e estamos ansiosos pela introdução do EA500 no Brasil”.
A Eclipse Aerospace oferece também o Eclipse 550, a nova versão de produção do Total Eclipse, cujas primeiras entregas estão estimadas para meados de 2013.
O “Eclipse Total” é a versão “renovada” de fábrica do jato homônimo que foi um dos pioneiros na onda que ficou conhecida como VLJ (Very Light Jets). Após sérias dificuldades com a integração dos motores que não ofereciam o empuxo necessário, o custo de desenvolvimento da aeronave original (monomotor) se tornou insustentável. A empresa foi reerguida com uma injeção de capital e nova diretoria, e algumas das aeronaves bimotoras até então comercializadas foram re-adquiridas pela empresa, passando por um “overhauling” que culminou no EA-500, onde o “500″ quer dizer que a aeronave tem menos de 500 horas de operação.
O custo de aquisição da aeronave é de US$ 2,15 mi.
Fontes: AOPA, Aviacao.org e Eclipse Aerospace

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Aproximação com curva

Novos procedimentos RNP APCH no aeroporto Santos Dumont permitem que as aeronaves voem trajetórias sinuosas


Por Jorge Filipe de Alemida Barros

Já estão publicados, desde 3 de maio de 2012, os novos procedimentos de aproximação RNP para o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (RJ). Eles foram desenvolvidos para atender a uma demanda antiga desse aeródromo, cujas condições de clima, relevo e posição geográfica historicamente impedem o pleno aproveitamento da sua capacidade de operação. E permitem que as aeronaves voem trajetórias sinuosas, traçadas com o objetivo de evitar o sobrevoo de relevo acentuado, enquanto descem para altitudes menores do que as dos procedimentos convencionais. Tais procedimentos fazem parte de um projeto da ICAO (Internacional Civil Aviation Organization) que prevê a mudança na metodologia da radionavegação. A nova metodologia chama-se PBN (Performance Based Navigation) e se baseia na técnica de navegar entre coordenadas geográficas, em vez de bloquear auxílios à navegação. Para ser capaz disso, os equipamentos embarcados devem considerar os sinais dos VOR/DME e/ou satélites dedicados de forma contínua e automática, processando-os num computador a bordo. O processo irá definir a posição da aeronave, em coordenadas geográficas, e não mais por rádios ou QDR. As sucessivas informações de posição permitem ao computador identificar rumo, velocidade no solo, raios de curva da aeronave etc. Portanto, o PBN retira do piloto a incumbência de analisar ponteiros e deduzir a posição aproximada de sua aeronave.

O equipamento a bordo pode ter diferentes níveis de complexidade. Os mais simples navegam apenas lateralmente, ou seja, identificam os deslocamentos horizontais da aeronave e projetam o rumo sobre uma imagem de um mapa móvel, mas não contabilizam as variações de altitude. Resta ao piloto, então, comandar na hora certa a subida ou a descida, por meio da ação direta no manche ou pelo piloto automático. Para realizar as aproximações RNP (Required Navigation Performance), do tipo aprovado no Rio de Janeiro, o equipamento da aeronave deve ter capacidade de seguir as trajetórias horizontais e verticais, estabelecidas nas cartas de aproximação. Essas cartas devem estar carregadas na base de dados do computador. Ou seja, o piloto não deve tocar nos comandos enquanto o computador envia os dados ao piloto automático. A manutenção do centro dessas trajetórias depende do nível de PBN aplicado na rota a ser voada. Podem ser aceitos erros laterais na execução da navegação em rota, chegadas (STAR) e aproximações de acordo com os valores que as cartas permitem. Rotas publicadas como RNAV 5, 2 ou 1 permitem que o equipamento de bordo pratique um erro máximo respectivo aos números, em milhas náuticas. Da mesma forma as chegadas já publicadas como RNP 1 ou as aproximações RNP 0,3 ou 0,1. Essas últimas são chamadas de RNP APCH (RNP APPROACH).

No aeroporto Santos Dumont, os novos procedimentos são do tipo RNP APCH 0,1, indicando que o equipamento deve ter condições de se manter dentro de um erro lateral máximo de 0,1 milha náutica (cerca de 18 metros horizontais). A aviônica instalada pode se basear em sinais dos satélites de navegação GPS (EUA) ou GLONASS (Rússia), em sinais de VOR/DME da região do aeroporto, de informações de sistemas inerciais ou de todos eles combinados. Tratando-se de satélites, há de se considerar os erros de posição, causados pela refração sofrida pelos sinais ao atravessarem a ionosfera e a reflexão provocada pelo relevo acidentado, dentre outros. Por isso, as trajetórias verticais previstas nas aproximações RNP tratadas aqui ainda devem se basear nos altímetros. Mas num futuro breve, quando o sistema de aferição do sinal GPS (ainda em teste no aeroporto vizinho do Galeão) estiver certificado, o Decea poderá permitir que as trajetórias verticais considerem a altimetria GPS. Isso poderá reduzir a DA (Decision Altitude) de 300 pés atuais para apenas 100 pés. Ou seja, o desempenho será compatível com aproximações ILS CAT I.

Ora, sabemos que sistemas ILS exigem a instalação de várias antenas em sítios distantes entre si, significando altos custos de manutenção e vulnerabilidades diversas, como a falta de espaço físico disponível ou mesmo danos causados por vandalismo. Nesse aspecto, as aproximações RNP APCH são mais eficazes, uma vez que podem ser estabelecidas para todas as pistas de um aeródromo, sem necessidade de grandes investimentos de infraestrutura. Mas há uma vantagem em especial que as distingue: a possibilidade da aproximação final ser realizada em trajetórias curvilíneas. Numa aproximação ILS, a aeronave precisa estar estabilizada por volta de 10 milhas náuticas, já alinhada com a cabeceira. No RNP APCH, no entanto, as manobras são realizadas mais próximas do aeródromo, com trajetórias inteligentes e mais seguras.



PBN se baseia na técnica de navegar entre coordenadas geográficas, em vez de bloquear auxílios à navegação. Abaixo, um dos novos procedimentos de aproximação RNP para o aeroporto Santos Dumont publicados pelo Decea


Ainda que a facilidade de execução seja maior, há de se ter cuidados adicionais no preparo da aeronave e tripulação. Se a boa qualidade dos sinais emitidos pelos auxílios no solo é garantida pelo Decea, o órgão ainda não tem como garantir a integridade do sinal do sistema GPS, uma vez que ele não nos pertence. Por isso, a aviônica deve estar equipada com softwares que realizem testes e identifiquem falhas. Esses recursos devem também verificar contradições entre os sinais recebidos dos auxílios e de sistemas inerciais. Um equipamento embarcado, aprovado como RNP, deve possuir recursos de identificação de erros laterais máximos, que uma vez ultrapassados façam disparar alertas visuais e sonoros. Cabe ao piloto analisar os variados níveis de degradação da capacidade de navegação e proceder conforme o que tiver sido estabelecido pela sua companhia aérea. Isso exige treinamento específico para cada local onde o RNP APCH será realizado. Por isso, os novos procedimentos discutidos aqui são chamados RNP APCH "AR", ou seja, aeronave e tripulação devem estar aprovados para realizá-lo na localidade pretendida. Ainda que publicados em caráter ostensivo, só podem ser praticados pelos operadores aprovados pela Anac.
Mais do que um novo tipo de procedimento, o RNP APCH AR pode ser o início de uma nova era. Veio para permitir o aumento substancial de movimentos nos aeroportos e poderá provocar uma nova abordagem na discussão da infraestrutura aeroportuária.

Aeromagazine

REVISTA FLAP EDIÇÃO Nº 01

Revista Flap Internacional em 1962 lançava sua primeira edição.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Grupo Positivo lança curso superior de aviação

Instituição promete formar pilotos, mecânicos e gestores na área de transporte aéreo


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O Centro Tecnológico Positivo (CTP) lança neste mês de outubro três cursos superiores na área da aviação. São eles o Curso Superior de Tecnologia em Pilotagem Profissional de Aeronaves, o Curso Superior de Tecnologia em Manutenção de Aeronaves e o Curso Superior de Tecnologia em Transporte Aéreo, sendo os dois primeiros com duração de três anos e o último com duração de dois anos. Os novos cursos pertencem ao núcleo Academia de Ciências Aeronáuticas (ACA) do CTP. "O mercado está carente de profissionais que desempenhem, com eficácia, as funções de piloto-comandante, gestão de recursos humanos, materiais e financeiros e manutenção especializada. Essas profissões 'estão em alta'", afirma o coordenador dos cursos da Academia do CTP, o professor e comandante Luiz Nogueira Galetto. "No Brasil, há uma escassez de profissionais em todas as áreas da aviação. Países como a China, Arábia, Alemanha e Portugal costumam contratar pilotos brasileiros pelo seu excelente desempenho e adaptação.

São diversas opções", complementa o diretor geral do Centro Tecnológico, professor Ronaldo Casagrande. A Escola Paranaense de Aviação (EPA) assinará as aulas de experiência de voo. Outra parceria também foi acertada com a Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS para programas de extensão no Laboratório de Microgravidade. Na Academia os alunos usarão uniformes e distintivos específicos, nos moldes de uma empresa aérea. O Curso Superior de Tecnologia em Pilotagem Profissional de Aeronaves terá carga horária de 1.800 horas e preço em torno de R$ 2 mil por mês (com a parte prática). Já o Curso Superior de Tecnologia em Manutenção de Aeronaves terá carga horária de 2.600 horas e preço em torno de R$ 800 a R$ 900 por mês. Finalmente, o Curso Superior de Tecnologia em Transporte Aéreo oferecerá carga horária de 1.800 horas e preço em torno de R$ 650 a R$ 700 por mês.

Aeromagazine

As mudanças na instrução aeronáutica

Novo RBAC 61 exige voos noturnos desde estágios iniciais, procedimentos IFR para pilotos de helicópteros e mais experiência dos instrutores, além de criar a licença de Piloto Tripulação Múltipla

 Baixe o RBAC 61 e confira o que mudou

Decea fornece dados meteorológicos em tempo real

Denominado D-Volmet, novo serviço permite que o piloto tenha acesso às informações de tempo via datalink

Texto Ivan Plavetz

 O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), organização subordinada ao Comando da Aeronáutica (Comaer), já disponibiliza um serviço de informações meteorológicas em tempo real. Denominado D-Volmet, o sistema permite o acesso direto às informações sobre as condições do tempo em rota e nos aeroportos por meio de comunicações por enlace de dados (datalink). Essas informações são disponibilizadas para tripulações de aeronaves equipadas com datalink e Unidade Multifuncional de Visualização de Dados (MCDU- Multifunction Control Display Unit), que é uma interface tripulante-sistema localizada nos painéis. As informações meteorológicas compartilhadas com as aeronaves são constantemente atualizadas no banco de dados do DECEA e podem ser visualizadas nas telas das MCDU (como este da foto, de um A320). O acesso às informações meteorológicas em tempo real permite uma maior coordenação de navegação durante os voos diante de intercorrências, como grandes áreas de turbulências e de instabilidades (CBs), bem como condições de tempo ruim sobre os aeroportos, trazem com frequência atrasos nas saídas e chegadas dos voos. O novo serviço entrou em funcionamento neste início de mês de outubro e cobre as cinco regiões de informações de voo no Brasil, incluindo 150 aeroportos. Antes do D-Volmet, os pilotos podiam obter informações meteorológicas via rádio, utilizando as frequências pré-estabelecidas para a área de cobertura. Esse serviço, chamado de Volmet, continuará a existir, sobretudo para o atendimento secundário (reserva) e para aquelas aeronaves que não possuem equipamentos para a troca de informações por "datalink". O DECEA, unidade do Comando da Aeronáutica responsável pelo controle de tráfego aéreo no Brasil, coordena aeronaves civis e militares numa área de 8,5 milhões de km², assim como a supervisão das principais rotas que cruzam o Atlântico Sul para a África, Europa e Oriente Médio.
Aeromagazine